Segunda-feira, 27 de Agosto de 2012

Giveaway: Captain Swing de Warren Ellis


Estamos de volta com mais um passatempo aqui na Clockwork Portugal! Desta vez temos para oferecer um exemplar de Captain Swing and the Electrical Pirates of Cindery Island, uma novela gráfica de inspiração electropunk da autoria de Warren Ellis, com ilustrações de Raúlo Cáceres.

Sinopse:
In the London of 1830, newly-minted copper Charlie Gravel keeps seeing things he's not supposed to: a crooked Bow Street Runner with a flintlock revolver, high-flying vessels that are not supposed to fly, and the violent Scientific Phantasmagoria popularly known as Spring-Heeled Jack. With the coming of Captain Swing and his Electrical Pirates, history shall never be the same! This crackling new graphic novel is illustrated by Raúlo Cáceres in a stunning woodcut style, capturing the classic literary feel from days of yore.

Passatempo

Para se habilitarem a ganhar este exemplar, basta que preencham o seguinte formulário com nome (não precisa de ser completo), email e as vossas respostas. O vencedor será escolhido através do site random.org e contactado por email. Como sempre, muita atenção ao preencher o campo do email no formulário, pois é a única forma de contacto que teremos convosco!



Podem participar no passatempo até 3 de Setembro (inclusivé). O vencedor será notificado por email e posteriormente anunciado aqui no Clockwork Portugal.

Aviso à navegação:
Passatempo válido apenas para participantes residentes em Portugal, uma vez que o envio do livro é da responsabilidade da equipa da Clockwork Portugal.

Boa sorte!

Segunda-feira, 20 de Agosto de 2012

Crowdfunding para criar um Museu Tesla

Aqui está um projecto que implica imenso dinheiro mas que pode valer a pena. Os organizadores pretendem comprar o local do último laboratório de Nikola Tesla nos EUA no sentido de o preservar e vir a construir um museu dedicado ao inventor. 

Em Belgrado, capital da Sérvia, o seu país de origem, existe um Museu Nikola Tesla, em cujo website podem ler sobre o cientista, verificar informação sobre as exposições, a biblioteca e o arquivo e até mesmo ver maquetes e modelos 3D de algumas das suas criações. Tesla foi uma das mentes mais importantes no desenvolvimento tecnológico da nossa civilização. O seu valor tem vindo a ser cada vez mais reconhecido: por exemplo, foi pioneiro na preocupação com o fornecimento de energia sustentável a todo o mundo e na invenção do transmissor de ondas rádio, iniciando na prática a comunicação sem fios. Tem até sido incluído como personagem ou referência em literatura steampunk, da qual destaco, a título de exemplo, Goliath - o terceiro livro da trilogia Leviathan de Scott Westerfeld - e Against the Day de Thomas Pynchon - livro que tenciono ler brevemente e sobre o qual tentarei partilhar aqui a minha opinião. De notar igualmente a presença de Tesla como personagem em múltiplas bandas desenhadas das quais recomendo vivamente S.H.I.E.L.D.: Architects of Tomorrow de Jonathan Hickman e Dustin Weaver, na qual o inventor entra como The Night Machine. Existem artigos e livros da sua autoria disponíveis gratuitamente - podem encontrar uma lista na Wikipedia.

Se estiverem interessados em contribuir, e porque cada doação pode fazer a diferença, visitem o Indiegogo através do widget abaixo.


A Clockwork Portugal deseja boa sorte aos organizadores e participantes!

PS: Entretanto, como poderão verificar no widget, os organizadores já têm os fundos que se tinham proposto alcançar. No entanto, como há percentagens para os intermediários e afins perdas, continua a valer a pena contribuir e assim quiçá facilitar ou acelerar a conversão do laboratório no museu!

Sexta-feira, 17 de Agosto de 2012

Projectos Steampunk em Crowdfunding - Parte IV

Estamos de volta com mais alguns projectos steampunk em plataformas de crowdfunding. A julgar pela actividade e pela qualidade dos projectos, mesmo durante o mês de Agosto - tradicionalmente mais "lento" no que toca a organização - o steampunk está bem e recomenda-se!



Multiplicam-se os jogos de mesa a pensar nos fãs de steampunk. O mundo de SteamCraft parece ter sido inspirado na linha de tempo alternativa do The Difference Engine de William Gibson e Bruce Sterling (vejam o vídeo que fizemos sobre esse livro aqui), com magia, fantasia e superstição à mistura. A Perilous Journeys, companhia por detrás do projecto, já completou o jogo, e pretende agora angariar fundos para produzir um livro de apoio ao jogo que será distribuído por lojas especializadas em todo o mundo. Podem espreitar um preview do livro aqui.

As recompensas incluem postais, posters, exemplares do livro, dados de jogo e goggles. Para ver aqui.



Steam Bandits pretende ser um jogo grátis diferente daqueles que se podem encontrar nas redes sociais, isto é, um jogo que não dependa do utilizador chatear constantemente os amigos ou gastar dinheiro para conseguir evoluir. Os jogadores poderão criar a sua personagem e construir cidades únicas, dependendo de recursos naturais e trocas comerciais mediadas por zeppelins para crescer. Quem quiser que as suas personagens, ilhas ou cidades tenham uma aparência demarcada dos restantes jogadores, pode comprar novos conteúdos, sem que isso se torne obrigatório para jogar.

A maioria das recompensas corresponde a pontos dentro do jogo e outros conteúdos exclusivos, mas também poderão ter acesso ao beta-testing, desenhar personagens ou locais para o jogo e receber posters ou t-shirts. Para seguir aqui.




A companhia de teatro americana Terra Mysterium pretende organizar um musical steampunk a estrear no Chicago Fringe Festival, que irá decorrer no fim deste mês, partindo depois para uma tour por todo o país. A história segue um alquimista que tenta o milagre da transmutação. Os actores estão a angariar fundos para adquirir roupas, objectos e outros recursos necessários para a produção.

As recompensas incluem posters, postais, músicas e vídeos de agradecimento, e a oportunidade de assistir a eventos exclusivos com a companhia. Para ver aqui

Segunda-feira, 13 de Agosto de 2012

Leviathan de Scott Westerfeld




Título: Leviathan
Data de Publicação: 2009

Embora já tivesse lido alguns livros com influência steampunk, a trilogia Leviathan de Scott Westerfeld foi o primeiro trabalho em que peguei sabendo de antemão que se inseria neste género e com a intenção de o ver explorado (li a edição original, em inglês, embora entretanto já esteja disponível a tradução para português que tanto a Sofia como a Joana têm para ler). A história insere-se numa Europa do início séc. XX, mesmo antes da 1ª Grande Guerra, em que os países se dividem em alianças de acordo com a tecnologia a que recorrem. Os "clankers" são os países em que tudo usa energia a vapor, grandes máquinas metálicas e zeppelins - Alemanha e o Império Austro-Húngaro. Os "darwinistas" recorrem a animais modificados - "fabricated" - que substituem as necessidades de máquinas a vários níveis - a Grã-bretanha, a França e a Rússia. De referir que nesta realidade Darwin não só definiu a teoria da evolução como descobriu o DNA abrindo assim o caminho à investigação genética que originou os "fabs". A exploração deste mundo é conseguida pelas aventuras das duas personagens principais, um jovem austríaco em fuga e uma rapariga inglesa que consegue entrar para a força aérea sob disfarce, fazendo-se de rapaz. Ao longo do livro observamos o desenrolar da história intermitentemente pelo ponto de vista de cada um deles, o que em certas alturas se torna muito engraçado e permite passar algumas mensagens com naturalidade e que de outra forma teriam que ser forçadas ao leitor.


O melhor de Leviathan parece, a principio, a invenção desta Europa e destas duas facções de forma a emular as guerras mundiais. Mas ao longo dos 3 livros, o que me fica na memória é a invenção das criaturas dos darwinistas. Não só é interessante a imaginação de uma criatura credível para cada necessidade humana daquele tempo, é especialmente bom o facto de o autor não se ter limitado a inventar espécies baseadas na realidade, mas de ter ido mais além, mostrando o seu funcionamento e a forma como os humanos as controlam. É grande a tentação de descrever aqui uma delas, mas prefiro que tenham o prazer que eu tive ao descobrir os pormenores durante a leitura. Quanto às personagens, há coisas boas e más a dizer. Se a Deryn se torna muito mais do que o cliché da menina que quer ter direito ao mesmo que os homens e de facto dá vontade de seguir, o Alex (Príncipe Aleksandar) é para mim mais duvidoso. Se por vezes fico curioso para vê-lo a reagir a tudo o que lhe vai acontecendo, em certos momentos ele parece mudar de opinião de acordo com o que dá jeito ao argumento. De referir que há algumas personagens secundárias - como o Conde Volger e a Drª. Barlow - bastante bem desenvolvidas, com personalidades e motivações próprias, que enriquecem e muito a história. É igualmente notável o cuidado do autor em criar diferenças importantes não só nas crenças e formas de estar, como nas palavras e expressões utilizadas pelas pessoas das diferentes culturas (p. ex. "barking spiders"),e de mostrar as próprias personagens a reagir a essas diferenças. Por último, uma referência às ilustrações de Keith Thompson, das quais partilho aqui exemplos (da sua conta no deviantART). Não sendo essenciais à história, boas ilustrações como estas trazem um valor acrescentado à obra, permitem um descanso na leitura e, no meu caso, por vezes perder-me na minha imaginação e a partir de uma delas viajar eu próprio através do mundo criado por Scott Westerfeld.


Focando o meu comentário no primeiro livro, ele constitui o principal momento de contacto com este mundo, sem no entanto recorrer a períodos demasiado prolongados de descrição que poderiam afastar alguns potenciais leitores. O desenvolvimento da história é essencialmente character driven, sem esquecer o importante contexto de guerra mundial iminente, embora este se venha a tornar mais preponderante para o final da trilogia. Nesta parte da história acompanhamos Deryn na sua emancipação em relação às expectativas da família e ao papel esperado de uma rapariga na sociedade vitoriana que, com a ajuda do irmão, consegue entrar na força aérea inglesa. Entretanto Alex está em fuga após o homicídio dos seus pais - Sophie e Franz Ferdinand - com uma pequena companhia de homens leais. Quanto a esta viagem de Alex há duas coisas que não posso deixar de focar, a credibilidade da fuga, que por vezes lembra uma boa história de espionagem, e a evolução pessoal de Alex, não só pela fuga mas também porque o autor o vai colocando em situações da vida real, em que ser nobre e educado não são mais do que problemas para a personagem. A escrita não é especialmente elaborada, sem grandes aparentes subterfúgios da linguagem, em geral clara e directa ao ponto embora mantendo as especificidades culturais no que toca aos diálogos.

Não sendo uma obra incomparável ou imprescindível, é um trabalho interessante ao nível da imaginação e do tratamento de assuntos como a desigualdade entre os sexos, a ética em relação aos animais, as guerras de interesses que regem o mundo e no entanto de leitura leve, fácil e agradável. Assim sendo, esta parece-me ser uma trilogia que merece ser experimentada por fãs de ficção científica de qualquer idade, em especial os fãs de  world building, steampunk e especulação científica biológica.


Classificação:


Se por esta altura ainda não estão convencidos a ler, deixo-vos com o trailer legendado em português:


"Do you oil your war machines? Or do you feed them?"